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Manipulação de Formas Farmacêuticas Sólidas (Pós)

23 de março de 2010

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Pesagem

1. Inicialmente o farmacêutico faz a conferência inicial da prescrição conforme o item 4.5.1 da Resolução 33/2000 e orienta quanto às seguintes etapas:
2. O manipulador confere se a ordem de manipulação está de acordo com a receita e o rótulo, separa atenciosamente os potes dos componentes que serão utilizados (as matérias-primas deverão ser armazenadas) em recipientes adequados, hermeticamente fechadas, rotuladas com todas as especificações (ex. nome, fator de diluição se aplicável, nome do fornecedor, prazo de validade, ficha de diluição quando aplicável, número do lote, etc.).
3. Procede-se a pesagem individual de cada componente da formulação, conferindo o peso descrito na ficha de pesagem com o indicado na balança (os potes com as matérias-primas após terem sido utilizados deverão ser fechados e recolocados nas prateleiras no seu devido lugar). O manipulador deverá pesar as substâncias especificadas na receita, observando as respectivas quantidades, registrando os respectivos cálculos bem como os lotes na ordem de manipulação.
4. A pesagem deve ser precisa e cuidadosa.
5. Ao iniciar a pesagem, o manipulador deverá previamente tarar o recipiente de pesagem .
6. O manipulador deverá pesar cada substância separadamente (dando prioridade às substâncias presentes em quantidades menores), tarando a balança a cada operação. A quantidade do excipiente a ser pesada deve ser determinada pelo método volumétrico (veja tabela abaixo) de acordo com o tamanho da cápsula a ser utilizada.
7. Após o término da pesagem da formulação, inclusive do excipiente proceder com a trituração/tamisação/diluição (homogeneização) do medicamento.
8. A ordem de manipulação deve conter orientação sobre o tamanho e cor de cápsulas a serem utilizadas.

Tabela - Capacidade das Cápsulas Gelatinosas Duras

CAPACIDADE DAS CÁPSULAS GELATINOSAS DURAS

Tamanho da cápsula

Volume (mL)

Peso (mg)

Qtde de princípio ativo usualmente empregada

000

1,37 mL

Acima de 1000mg (750mg) *

Acima de 750mg

00

0,95 mL

(500) * a 1000mg

Entre 351 a 500mg

0

0,68mL

(400) * a 500mg

251 a 350mg

1

0,50mL

(350) * a 400mg

151 a 250mg

2

0,37mL

(250) * a 300mg

50 a 150mg

3

0,30mL

(200) * a 300mg

Até 50mg

4

0,21mL

(126) * a 252mg

Até 5mg

* Capacidade média para substância com densidade aparente próxima da lactose. Existem diferenças de capacidade em peso relacionados com a reologia do pó, tenuidade, densidade aparente, etc. Exemplo: uma cápsula número 0 pode conter 300mg de cáscara sagrada pó ou 825mg de cloreto de sódio. Portanto é recomendável a utilização da proveta.

Nota: O manipulador deve estar ciente e treinado, seguindo as Boas Práticas de Manipulação.


Trituração/tamisação/diluição (homogeneização)


1. O manipulador seleciona a ordem de manipulação junto com a receita de acordo com o horário de entrega ao cliente; confere o rótulo e a requisição de acordo com a receita; verifica se existe alguma anotação em relação a matéria-prima ou orientação técnica de manipulação.
2. Transfere o pó para o tamis de malha adequado (40 a 60) adaptada ao seu suporte previamente guarnecido com papel manteiga e tamisa o pó com pistilo, pressionando-o contra o tamis em movimentos circulares e de vai e vem até o esgotamento do pó.
3. Verte o pó depositado sobre o papel manteiga contido no suporte para o gral de porcelana, tritura várias vezes com movimentos no sentido horário e vários movimentos no sentido anti-horário, revolve o pó no interior e laterais do pistilo e do gral com a espátula de plástico e mistura novamente com movimentos no sentido horário e com movimentos no sentido anti-horário.

Nota: O manipulador deve estar ciente e treinado, seguindo as Boas Práticas de Manipulação.


Encapsulação

1.
O encapsulador seleciona a formulação previamente homogeneizada, a ser encapsulada, por ordem de prazo de entrega prometido ao cliente.
2. Encapsula a fórmula utilizando as placas necessárias de acordo com o tamanho de cápsula a ser utilizado conforme a recomendação na ordem de manipulação, preenche o registro.
3. Verte as cápsulas para a embalagem adequada e a rotula - preenche os registros necessários.
4. Envia junto o produto embalado com a receita para a conferência e controle da qualidade.

Nota: O manipulador deve estar ciente e treinado, seguindo as Boas Práticas de Manipulação.


Conferência

1. O farmacêutico confere o medicamento com a Ordem de Manipulação, rótulo e receita.
2. O farmacêutico confere verificando os seguintes itens:
a) Horário de entrega prometido ao cliente;
b) Se a Ordem de Manipulação esta devidamente preenchida, assinada com letra legível;
c) A quantidade de cápsulas ou comprimidos dentro do pote, utilizando o contador;
d) Se há deformação nas cápsulas;
e) Aparência das cápsulas (limpeza, amolecimento, quebra, pintas e manchas);
f) Se o tamanho da cápsula é o mesmo anotado na Ordem de Manipulação;
g) Cor da cápsula utilizada;
h) Rótulo (rotular conforme item 4.5.3 da RDC 33/200) x receita;
i) Carimbo de manipulação na receita, devidamente preenchido;
j) Se existe rótulo de advertência para casos de substâncias controladas pela Portaria 344/98.


Controle de Qualidade

As cápsulas devem passar pelo ensaio farmacopéico de uniformidade de doses unitárias, conforme o descrito na Farmacopéia Brasileira IV. "A uniformidade das doses unitárias de formas farmacêuticas pode ser determinada por dois métodos: variação de peso (peso médio) e uniformidade de conteúdo".


Este método se aplica às formas com um único fármaco ou com mais de um componente ativo.O método de Variação de peso (peso médio) pode ser aplicado se o produto contiver 50mg ou mais de um componente ativo, compreendendo 50% ou mais, em peso, da dose unitária da forma farmacêutica. Portanto, para fármacos com dose posológica igual ou maior que 50mg poderiam ser avaliados em relação ao teste de "uniformidade de doses unitárias" com a determinação do peso médio. A determinação do peso médio é tecnicamente simples e viável sua realização na farmácia, sendo que a uniformidade de conteúdo por envolver maior complexidade analítica poderia ser realizada por amostragem em laboratórios contratados.

Fonte: Ortofarma, Estudo Biofarmacêutico Magistral, 2006.

Manipulação de Formas Farmacêuticas Semi-Sólidas e Líquidas com Tretinoína

19 de março de 2010

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A tretinoína (sinonímia: ácido retinóico, vitamina A ácida e ácido retinóico) é um derivado da vitamina A e se apresenta como pó cristalino amarelo ou laranja claro. A tretinoína (C20H28O2; PM=300,4) é praticamente insolúvel em água e pouco solúvel em álcool.

A tretinoína é muito sensível à luz, ao calor e ao ar; sendo facilmente oxidável. Consequentemente, a tretinoína matéria-prima deve ser armazenada sob atmosfera de gás inerte (ex. atmosfera de nitrogênio), em temperatura inferior a 25oC. Uma vez aberta a embalagem de tretinoína (matéria-prima), o pó remanescente deverá ser usado o mais breve possível (USP, 1999; Parfitt, 1999).

Produtos à base de tretinoína devem ser embalados em recipientes hermeticamente fechados, fotoresistentes (ex. bisnaga de alumínio revestido para preparações semi-sólidas, frasco de vidro âmbar para preparações líquidas) e armazenado em temperatura ambiente controlada, protegidos da luz e do congelamento (Trissel, 2000). Os produtos à base de tretinoína devem ser acrescidos de antioxidante para sistema oleoso, como por exemplo, do B.H.T. (butilhidroxitolueno) na concentração usual de 0,05%.

Indicações Terapêuticas

Tem ação queratolítica e esfoliante, nas concentrações de 0,01 a 0,1%. É tradicionalmente usada no tratamento da acne, para acelerar o "turnover" da epiderme e prevenir a formação de comedões. Também é usado no tratamento de hiperqueratoses. Em alopecias, é usado principalmente associado ao minoxidil, com a finalidade de aumentar a absorção deste. Como a tretinoína produz eritema, descamação e é fotossensibilizante, deve ser usado à noite. Durante o dia, recomenda-se o uso de fotoprotetores. O ajuste da concentração do ácido retinóico nas formulações vai depender da resposta terapêutica obtida. Desta forma, recomenda-se iniciar o tratamento com a menor concentração usual, aumentando gradativamente, se necessário.

Para o tratamento da acne, não se deve associar a tretinoína e o peróxido de benzoíla na mesma formulação, uma vez que o primeiro é oxidado pelo segundo. No caso de se optar por um tratamento com essas duas substâncias, pode ser feito alternando-se um creme com ácido retinóico à noite, com um gel de peróxido de benzoíla durante o dia.

O seu uso em cosmiatria vem da observação de pacientes em tratamento de acne, com tretinoína, em que após certo tempo a pele se apresentava mais macia e menos enrrugada, apesar da vermelhidão e irritação causadas pela tretinoína. Desde então, numerosas observações vem sendo feitas com o uso da tretinoína a 0,05%, para redução de rugas e linhas de expressão, para a prevenção do envelhecimento cutâneo e para o tratamento da pele danificada pelo sol. Nessas observações, verificou-se melhoras nas características da pele, diminuição da queratose actínica, dispersão mais uniforme dos grânulos de melanina, formação de novas fibras de colágeno na derme, aumento do fluxo sanguíneo e aumento da permeabilidade da epiderme. Nocaso de rugas, o efeito mais evidente foi constatado em rugas finas e em linhas de expressão.

Exemplos de Formulações

Acne
1. Loção Cremosa com Tretinoína
Tretinoína - 0,05%
Drieline - 2%
Loção Cremosa qsp. - 60mL

2. Gel com Tretinoína e Bisabolol
Tretinoína - 0,025%
Alfa Bisabolol - 1%
Gel de Carbopol qsp. - 50g

3. Creme com Tretinoína e Polyolprepolymer 2
Tretinoína - 0,05%
PP 2 - 2%
Creme Hidratante qsp. - 50g

Modo de Usar: aplicar à noite nas regiões afetadas, com cuidado para não atingir as mucosas dos olhos, nariz e boca. Recomenda-se o uso de bloqueadores solares durante o dia. Nas primeiras semanas de tratamento pode eventualmente ocorrer uma exacerbação temporária da acne, o que deve implicar em suspensão do tratamento. O seu uso não deve ser prolongado além de 2 ou 3 meses.

Alopecias
1.Loção com Minoxidil e Tretinoína
Minoxidil - 2%
Tretinoína - 0,02%
Propilenoglicol - 10%
Álcool Isopropílico qsp. - 60mL

Modo de Usar: aplicar no couro cabeludo 2 a 3 vezes ao dia, com massagem suave.

Anti-Rugas, Cosmiatria
1. Creme com Tretinoína
Tretinoína - 0,01 a 0,05%
Creme Excipiente qsp. - 50g

2. Gel Anti-Rugas para Pele Sensível
Tretinoína - 0,01 a 0,05%
Alfa Bisabolol - 0,5%
Gel de Lubrajel qsp. - 50g

Modo de usar: aplciar nas regiões afetadas à noite. Durante o dia, recomenda-se o uso de fotoprotetores.

Hipercromias
1. Associação com Tretinoína e Hidrocortisona
Hidroquinona - 3%
Ácido Kójico - 2%
Tretinoína - 0,05%
Hidrocortisona - 1%
Gel de Natrosol ou Creme Lanette qsp. - 30g

Obs: as formulações com hidroquinona e ácido kójico devem conter um antioxidante como metabissulfito de sódio e um quelante como o EDTA.

Hiperqueratoses, Ictiose
1. Tretinoína 0,1%
Tretinoína - 0,1%
Creme ou Loção Cremosa qsp. - 100g

Modo de usar: aplicar nas regiões afetadas à noite. Durante o dia, aplciar creme hidratante ou, se as aplicações forem feitas em áreas expostas ao sol, bloqueador solar.

Língua Nigra Vilosa
1. Tretinoína
Tretinoína - 0,05%
Propilenoglicol qsp. - 50mL

Modo de usar: aplicar com uma espátula 1 a 2 vezes ao dia.

Aditivação da Tretinoína (Pó) em Diversas Formas Farmacêuticas

• Soluções
- Alcoólicas: dissolver diretamente no álcool;
- Hidroalcoólicas: dissolver no álcool e em seguida acrescentar a água;
- Hidro-propileno-alcoólicas: dissolver na solução propileno-alcoólica e acrescentar a água.

• Pomadas: reduzir a pó fino e incorporar a pomada previamente elaborada.

• Emulsões: reduzir a pó fino e incorporar na emulsão (ex. creme, loção cremosa) previamente elaborada.

• Géis:
dissolver em álcool ou em solução propileno-alcoólica e acrescentar sobre o gel previamente elaborado. O ácido retinóico diferentemente de outros ácidos é compatível com géis não-iônicos (ex. gel de hidroxietilcelulose, gel de hidroxipropilcelulose, e outros) e também com géis aniônicos (ex. gel de carbômero ou Carbopol).

Soluções Auxiliares Diluídas de Tretinoína

A tretinoína é empregada em concentrações variadas, normalmente na faixa de 0,01 a 0,1%. Entretanto, concentrações maiores são eventualmente utilizadas em preparações para peelings (1 a 10%) destinadas ao uso em consultórios e aplicadas por profissional (Kede & Sabatovich, 2004; Batistuzzo et al., 2006). A manipulação de formulações em pequenas quantidades, contendo tretinoína em concentrações menores, implica na pesagem de quantidades diminutas deste fármaco. Para se evitar erros de pesagem e, consequentemente, desvios de teor no produto final, é recomendável o uso de solução auxiliar diluída da tretinoína. Contudo, as soluções auxiliares diluídas devem ser preparadas para o uso em um curto período de tempo (não ultrapassar a 15 dias) e armazenada adequadamente em condições ideais.

A seguir, relacionamos alguns exemplos de soluções auxiliares diluídas de tretinoína para o emprego em formas farmacêuticas diversas:

1. Solução auxiliar diluída de Tretinoína a 0,5% (p/v)
Tretinoína ............................................................. 0,5g
BHT (butilhidroxitolueno)....................................... 0,1g
PPG-14 butil éter * qsp 100mL
*Ucon Fluid AP da Ion.

Indicação:
Para uso no preparo de emulsões cremosas e pomadas.
Fator de correção = 200

Procedimento de preparo:
1. Em um gral de vidro, triturar o BHT e a tretinoína.
2. Adicionar, lentamente, o PPG-14 butil éter, triturando após cada adição.
3. Transferir a preparação para um cálice ou proveta graduada e ajustar para o volume final com o PPG-14 butil éter.
4. Envasar em frasco de vidro âmbar.

Nota: Preparar quantidade suficiente para consumo de, no máximo, 15 dias.
Conservar em temperatura ambiente controlada.

2. Solução auxiliar diluída de Tretinoína 0,5% (p/v)
Tretinoína ....................................................0,5 g
Álcool absoluto ............................................45 mL
Acetona .......................................................10mL
BHT (butil hidroxi tolueno)............................0,05g
PPG-5 ceteth-20*.........................................9,5 mL
Polietilenoglicol 400** q.s.p. ........................100mL
* Álcool cetílico propoxilado (5 OP) e etoxilado (20 OE) (Acqualsolv da Chemyunion ou Procetyl AWS da Croda);
**Carbowax 400 ou Macrogol 400.

Indicação: Para uso no preparo de géis (preferencialmente géis alcoólicos) e soluções alcoólicas, hidroalcoólicas ou hidro-propileno-alcoólicas.
Fator de correção = 200

Procedimento de preparo:
1. Dissolver a tretinoína e o BHT na acetona;
2. Adicionar o PPG-5 ceteth-20 e misturar;
3. Adicionar. em seguida. o álcool absoluto e misturar;
4. Ajustar para o volume final com polietilenoglicol 400. Misturar.
5. Envasar em frasco de vidro âmbar.

Nota: Preparar quantidade suficiente para consumo de no máximo 15 dias.
Conservar em temperatura ambiente controlada.

3. Solução auxiliar de Tretinoína a 0,2% (p/v)
Tretinoína .......................................................... 0,2g
BHT (butilhidroxitolueno).................................... 0,05g
Álcool etílico q.s.p. ............................................. 100mL

Indicação: para uso no preparo de géis (preferencialmente géis alcoólicos) e soluções alcoólicas, hidroalcoólicas ou hidro-propileno-alcoólicas.
Fator de correção: 500

Procedimento de preparo:
1. Em um gral de vidro triturar a tretinoína e o BHT.
2. Adicionar o álcool etílico e misturar até dissolução.
3. Ajustar para o volume final com álcool etílico. Misturar.
4. Envasar em frasco de vidro âmbar.

Nota: Preparar quantidade suficiente para consumo de, no máximo, 15 dias.
Conservar em temperatura ambiente controlada.

Exemplo de Cálculo
Seja a seguinte prescrição:
Rx
Creme com tretinoína 0,025% 20g

Como manipular?

Cálculo da quantidade de tretinoína (regra de três)
0,025 g ___________100g
X _______________20g

X = 0,005 g (quantidade de tretinoína requerida em 20g de creme de tretinoína a 0,025%).

Considerando a utilização da solução auxiliar diluída de tretinoína a 0,5% (Fc = 200).
0,005 x 200 (fator de correção da diluição) = 1mL da solução auxiliar.

Resposta:
Aditivar 1mL da solução auxiliar diluída de tretinoína a 0,5% em quantidade suficiente de creme base para completar 20g.

Nota: Deve se acrescentar uma quantidade complementar BHT como antioxidante de modo a obter concentração de cerca de 0,05% deste adjuvante. O mesmo poderá ser previamente diluído em qs de álcool.
Envasar em bisnaga de alumínio revestida.
Sugerimos adotar um prazo de validade não superior a 3 meses.

Fontes:
Ortofarma, por Anderson de Oliveira Ferreira, MSc.
Batistuzzo, J.A.O. et all. Formulário Médico Farmacêutico. 3a ed. São Paulo: Pharmabooks, 2006.

Referências:
1. Parfitt, K, ed. Martindale The Complete Drug Reference. 32nd ed. London: The Pharmaceutical Press, 1999.
2. The United States Pharmacopeia XXIV. Rockville, MD: The United States Pharmacopeial Covention, 1999.
3. Trissel, L.A. Trissel’s Stability of Compounded Formulations. 2nd ed. Washington: American Pharmaceutical Association, 2000.
4. García, Ma T. C. et al. Monografías Farmacéuticas. 1ª ed. Colégio Oficial de Farmacéuticos de La Provincia de Alicante, 1998.
5. Fernández-Montes, E.A. Manual de Formulación Magistral Dermatológica. 1ªed. Madrid: E. Alía, 1998.
6. Kede, M.P.V. & Sabatovich, O. Dermatologia Estética. 1ª ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2004. p.426.
7. Batistuzzo, J.A.O. et all. Formulário Médico Farmacêutico. 3a ed. São Paulo: Pharmabooks, 2006.
8. Sampaio, A. C. Curso de Manipulação Farmacêutica Avançada – Módulo 2. São Paulo: Consulcom, 2001.

Manipulação de Cápsulas contendo Fármacos Higroscópicos

9 de novembro de 2009

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A manipulação de cápsulas contendo fármacos de natureza higroscópica que absorvem a umidade ambiental) é crítica, podendo levar a um “amolecimento” das cápsulas, tornando-as esteticamente inaceitáveis e, além disso, comprometer a estabilidade e eficácia da preparação.

Abaixo relacionamos algumas medidas preventivas e corretivas para higroscopia:

A) A manipulação deve ser realizada em ambiente de temperatura e umidade controladas: temperatura ambiente de no máximo 25°C e a umidade relativa do ar ideal entre 30 a 45 %, ou, no máximo, inferior a 60%.

B) Deve-se empregar um tamanho de cápsula que permita a adição de, pelo menos, 50% do volume da cápsula para seu preenchimento. A não utilização de uma quantidade adequada do excipiente adequado permitirá a higroscopia e o consequente “amolecimento” da cápsula. Portanto, empregue um tamanho de cápsula maior, que permita a adição de quantidade adequada de excipiente. Se não for possível, devido à quantidade de ativos, fracione a dosagem em duas ou mais cápsulas, de modo que possa adicionar quantidade suficiente do excipiente.

C) Deve-se utilizar nos excipientes substâncias absorventes e dessecantes, que possam reduzir a tendência à higroscopia dos pós (ex.Aerosil 200, talco farmacêutico, carbonato de magnésio leve, óxido de magnésio leve, talco, fosfato de cálcio dibásico, etc.). Lembrando-se que os mesmos influenciam negativamente na desintegração e dissolução das cápsulas e, portanto, devem ser utilizados em concentrações compatíveis.

Fonte: Ortofarma, por Anderson de Oliveira Ferreira, MSc.

Referência: Ferreira, A.O. et al. Guia Prático da Farmácia Magistral. 2a edição. Juiz de Fora: Pharmabook, 2001.

Formulações de Excipientes para Utilização em Matérias Primas Higroscópicas

Relacionamos abaixo algumas sugestões de fórmulas de excipientes para serem utilizados em matérias primas higroscópicas de acordo com o grau de higroscopicidade, utilize as que mais se adequarem às particularidades de sua farmácia de manipulação.

Matérias Primas de Alta Higroscopicidade
Fórmula 01

Aerosil 200® – 10%
Caolin – 90%

Fórmula 02
Carbonato de Magnésio – 90%
Aerosil 200® – 10%

Fórmula 03
Aerosil 200® – 10%
Óxido de Magnésio – 90%

Matérias Primas de Média Higroscopicidade
Fórmula 01

Aerosil 200® – 3%
Talco Farmacêutico – 97%

Fórmula 02
Aerosil 200® – 3%
Talco Farmacêutico – 48,5%
Celulose Micronizada – 48,5%

Fórmula 03
Aerosil 200® – 1%
Estearato de Magnésio – 0,5%
Fosfato de Cálcio Tribásico – 60%
Celulose Micronizada – 38,5%

Fórmula 04
Aerosil 200® – 3%
Manitol – 72,75%
Celulose Micronizada – 24,25%

Matérias Primas de Baixa Higroscopicidade
Fórmula 01

Aerosil 200® – 5%
Estearato de Magnésio – 1%
Fosfato de Cálcio Tribásico – 94%

Obs.: Aerosil 200® também possui alguns sinônimos comerciais como Dióxido de Silício Coloidal, Sílica Coloidal Anidra, Aerosil® ou Cab-O-Sil®

Obs. 2: Para medir a higroscopicidade de uma matéria prima faça um teste simples: Tare um papel-filtro (daqueles redondos utilizados em laboratórios de química analítica para filtragem simples) e pese 1g da matéria prima a ser analisada. Deixe por 10 minutos e retire, quanto mais ativo impregnar no papel filtro mais higroscópica é a matéria prima. Por exemplo se 0,7g continuar no papel a matéria prima é 70% higroscópica (alta higroscopicidade). Lembre-se que estes testes dependem das condições de temperatura e umidade do seu Laboratório de Controle de Qualidade.

Manipulação de Pellets: aspectos críticos e controle de qualidade

26 de outubro de 2009

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Dentre as diversas formas farmacêuticas sólidas, destinadas à administração oral, estão incluídos os pellets. As formas farmacêuticas peletizadas datam dos anos 50, quando o primeiro produto foi introduzido no mercado.

O interesse por fármacos veiculados na forma de pellets tem crescido devido às vantagens tecnológicas e terapêuticas proporcionadas por esta forma. Destacam-se a possibilidade de obtenção de sistemas de liberação imediata ou modificada (liberação entérica, liberação prolongada) através do revestimento por película na sua superfície ou a presença de sistemas matriciais em sua composição; ótimas propriedades de escoamento (fluxo livre) devido, principalmente, a seu formato esférico e estreita distribuição do tamanho das partículas.

Além disso, pellets de substâncias incompatíveis (formuladas em pellets separados) podem ser combinados em uma mesma unidade medicamentosa (ex. em uma mesma cápsula), bem como também podem ser combinados pellets de uma mesma substância com diferentes perfis de liberação. Os pellets são normalmente empregados no enchimento de cápsulas duras e podem também ser aplicados na fabricação de comprimidos.

Goma Comestível

14 de setembro de 2009

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Sugestão de Formulação

Passo 1 - Base para obtenção de goma comestível


Gelatina - 43,40g
Glicerina - 155,00mL
Água Purificada - 21,60mL

Passo 2 - Goma comestível

Base goma comestível (Passo 1) - 26,60g
Bentonite - 0,50g
Aspartame - 0,55g
Acácia - 0,50g
Ácido cítrico monohidratado - 0,70g
Flavorizante - 10 a 12 gotas
Fármaco - conforme prescrição

Fonte: FERREIRA, Anderson de Oliveira, Excipientes e Adjuvantes Farmacotécnicos, São Paulo, 2006, págs. 82 e 83.

Creme Lanette - Creme Base Aniônico - Farmacotécnica Aplicada

13 de fevereiro de 2009

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Apresentação: O creme aniônico (Lanette), é uma composição de álcoois graxos superiores e alquil sulfato, hidratante e emoliente, de baixa oleosidade, de toque suave à alta resistência aos princípios ativos que requerem veículos com este caráter. É compatível com todos cosméticos e farmacêuticos que toleram emulsões aniônicas.
Composição: Ceras Auto-Emusionantes, Propilenoglicol, Triglicérides do Ácido Cáprico, Metilparabenos, Propilparabenos, Imidazolidinil Uréia, Dimeticone, BHT, EDTA Dissódico e Água Deionizada.
Utilização/Incorporação: Uréia, Hidroquinona, Ácido Salicílico, Alfa Hidroxiácidos, Vitaminas Lipossolúveis, Óleos Vegetais, Extratos Vegetais, Corticoides, Ácido Retinóico, Coaltar, Ictiol, Enxofre e outros Princípios Ativos Terapêuticos.
Farmacotécnica - Preparação do veículo, passo a passo

Passo 1 - Preparação das fases

Fase A: Banho Maria
Lanette N - 19 %
Cetiol 868 - 3 %
Óleo de germem de trigo - 3 %
Óleo de amêndoas - 3 %
B.H.T. - 0,1 %

Fase B: Fogo direto
Sorbitol - 3 %
Nipagim - 0,2 %
Nipazol - 0,1 %
Propilenoglicol - 1 %
Água destilada - QSP

Fase C: Homogeneização manual
Germal I I - 0,4 %
EDTA dissódico - 0,05 %
Dissolver em água

Passo 2 - Verter a fase B sobre a fase A quando ambas estiverem à 70ºC.

Passo 3 - Homogeneizar por 5 minutos.

Passo 4 - Retirar do banho-maria e bater com mix.

Passo 5 - Homogeneizar manualmente até +/- 50ºC e então acrescentar a fase C dissolvido em um pouco de água.

Especificações:
Aspecto - Creme Sólido
Cor - Branco Leitoso
Odor - Suave Característico
pH - 5,50 – 7,00
Validade - 2 anos

Conservação: Manter as embalagens bem fechadas, ao abrigo da luz e calor.

Atualização!
Creme Base Aniônico de acordo com o Formulário Nacional

1. FORMA FARMACÊUTICA: emulsão cremosa.

2. TIPO DE EMULSÃO: O/A.

3. APLICAÇÃO E PROPRIEDADES
Creme aniônico, emoliente, de baixa oleosidade e alta resistência aos princípios ativos que
requerem veículos com este caráter, como hidroquinona, dihidroxiacetona e resorcina.

4. FÓRMULA

Componentes e Quantidades

Fase aquosa
EDTA dissódico - 0,15 g
solução conservante de parabenos - 3,30 g
água qsp - 100,00 g

Fase oleosa
álcool cetílico - 2,50 g
álcool cetoestearílico e cetilestearilsulfato de sódio (9:1) - 24,00 g
glicerina - 5,00 g
oleato de decila - 12,00 g

Fase complementar
solução conservante de imidazolidiniluréia a 50% - 0,60 g

5. ORIENTAÇÕES PARA O PREPARO
Aquecer a fase oleosa a 75ºC e a fase aquosa a 80ºC. Verter a fase aquosa à fase oleosa, sob agitação vigorosa. Diminuir a agitação e resfriar a aproximadamente 40ºC. Adicionar a fase complementar, homogeneizar e resfriar até atingir a temperatura ambiente. Verificar o pH e, se necessário, corrigir para 5,5 a 6,5, com o auxílio das soluções acidulantes ou alcalinizantes, descritas em Soluções auxiliares.

6. EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO
Recipientes adequados, de plástico opaco, ao abrigo da luz e à temperatura ambiente.

Gel Transdérmico (PLO) - Farmacotécnica aplicada

26 de janeiro de 2009

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Preparação do veículo em 3 partes, passo a passo
O gel de P.L.O. é composto por uma fase oleosa (LIPS) e uma fase aquosa (Gel de Polaxamer 407). Recomenda-se a prévia manipulação e armazenamento dessas fases para que no momento que s recebe a prescrição do gel transdérmico, possamos utilizá-las fazendo tão somente a incorporação do ativo prescrito.

PARTE I: Preparo da solução de lecitina e palmitato de isopropila (LIPS lecithin/isopropyl palmitate solution)
• Lecitina: fosfolipídeo; capaz de atravessar a camada córnea da pele.
• Palmitato de isopropila: solvente e promotor da penetração cutânea.
• Ácido sórbico: conservante.

Para 100g de solução:
Lecitina granulada - 50g
Palmitato de isopropila - 50g (cerca de 58,5mL)
Ácido sórbico - 1g

Passo 1: Todos os ingredientes devem ser previamente pesados ou medidos antes de iniciar o processo de manipulação.
Passo 2: Verter o ácido sórbico e a lecitina em um béquer com o palmitato de isopropila.

Passo 3: Com o auxílio de um bastão de vidro ou pão duro pequeno, misture o conteúdo do béquer até que as partículas de lecitinas estejam em contato com o palmitato de isopropila. “Não agite!”
Passo 4: Cobrir o béquer com filme plástico e deixar em repouso de um dia para o outro. No dia seguinte, uma mistura de consistência líquida irá se formar.

Embalagem e Armazenamento: Em frasco PET âmbar bem vedado em temperatura ambiente Estima-se a estabilidade aproximada dessa solução em 180 dias, segundo a USP XXV.

PARTE II: Preparo do Gel de Polaxamer 407

• Polaxamer 407: surfactante e agente estabilizante
• Sorbato de potássio: conservante

• A água destilada deverá ser previamente gelada.
• A percentagem mais usada nas formulações do gel transdérmico é 20%. Recomenda-se ter armazenado o gel de polaxamer 407 a 20%.
• O polímero polaxamer 407 é termoreverso, i.e., em temperatura ambiente, seus géis ficam gelificados e em temperaturas frias, seus géis se fluidificam. Portanto, armazenamos o gel de polaxamer 407 no refrigerador, para facilitar a manipulação final.
Passo 1: Utilizando um béquer de 240mL, calibrar o mesmo para 100mL utilizando a técnica a seguir: Medir 100mL de água destilada gelada, em uma proveta. Verter para um béquer de 240mL e marcar, externamente no béquer, o nível de 100mL. Verter então a água gelada de volta para a proveta, deixando no béquer de 20-30mL.

Passo 2: Pesar os pós e transferir para o béquer.

Passo 3: Completar, então, com a água gelada da proveta até a marca de 100mL do béquer.
Passo 4: Homogeneizar com o bastão de vidro até que todas as partículas do polímero estejam em contato com a água.
Passo 5: Cobrir o béquer com um filme plástico e deixar de um dia para o outro na geladeira, até completa dissolução. “Não agite!”

PARTE III: Preparo do Gel Transdérmico com incorporação do ativo
Gel com cetoprofeno a 10% (exemplo) - Mais formulações aqui!
A partir da manipulação da solução LIPS e do gel de polaxamer 407, pode-se então fazer a incorporação do ativo através de uma técnica chamada extrusão. Essa técnica é que vai possibilitar a encapsulação do ativo.
Cetoprofeno - 6g
Transcutol® (Dietileno glicol etil éter ou Etoxi Diglicol) - qs (não ultrapassar 10% do volume total)
Solução de lecitina (LIPS) - 22%
Gel de polaxamer 20%* - qsp 100%
• O que determina qual a percentagem devemos usar é a viscosidade e estabilidade final do gel Quando o ativo influencia na viscosidade, abaixando o pH da formulação por exemplo, podemos aumentar a percentagem do gel de polaxamer usado no gel transdérmico.
• Quanto mais ativos adicionarmos a uma formulação com o gel transdérmico, menos viscoso e estável ele se torna.
• Recomenda-se uma concentração total de ativos a 25% do volume total de gel transdérmico.

Passo 1: Triture o ativo em um gral para que haja redução dos cristais e ou partículas.

Passo 2: Dissolva o cetoprofeno em qs de álcool em um béquer pequeno.
Passo 3: Retire o conteúdo do béquer com o auxílio de uma seringa de 30 ou 20mL do tipo luer lock e coloque o adaptador na seringa como mostra a figura abaixo.

Passo 4: Com o auxílio de outra seringa de 60mL do tipo luer lock, retire o volume necessário de solução de lecitina (LIPS) e conecte as seringas.

Passo 5: Vagarosamente, misture o conteúdo das seringas, empurrando um êmbolo por vez até obter uma mistura homogênea. Coloque a solução em uma única seringa deixando o conector.

Passo 6: Observe o volume em mL que sua preparação está ocupando na seringa. Diminua esta quantidade de 60mL (volume final). Essa diferença é o volume do gel de polaxamer a ser usado.

Passo 7: Retire o volume necessário do gel de polaxamer com uma outra seringa de 60mL do tipo luer lock. Conecte as duas seringas.

Passo 8: Misture o conteúdo das duas seringas empurrando os êmbolos das duas seringas da direita para a esquerda e vice e versa, um por vez. (técnica de extrusão, de acordo com a figura abaixo). Execute essa técnica pelo menos 5 vezes ou até que a mistura esteja visivelmente homogênea, como mostra a figura.


Passo 9: De acordo com a dose diária a ser usada pelo paciente, dispensar na própria seringa de 60mL ou dispensar em seringas menores (como as de insulina, de 1mL) que permitem a leitura precisa do gel em quantidades menores que 1mL. Veja a figura que mostra como colocar o gel em seringas menores. Pode-se dispensar várias seringas de 1mL para o paciente. A outra sugestão seria de envasar o gel em sachês aluminizados.


Material utilizado e onde comprar:
• Seringas luer-lock de 20 e 60mL e seringas tipo Insulina de 1mL: casas de material cirúrgico ou RIMED (www.rimed.com.br), telefone 0800 144500
• Conectores de seringas e Adapta-Caps®: Embrafarma Produtos Químicos e Farmacêuticos.
• Sachês aluminizados: Tepron (www.tepron.com.br)
• Etiquetas especiais para rotular seringas: Tipolac Etiquetas (www.tipolac.com.br)

Sugestões de Formulações com o Gel Transdérmico - Visualização do arquivo

Fonte: Embrafarma Produtos Químicos e Farmacêuticos - Download do arquivo original
 

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